sexta-feira, novembro 13, 2009

Resultado - Prêmio FDP do Ano

E o Prêmio FDP do Ano 2008 e 2009 vai para...
...eu mesma, por não ter divulgado oficialmente o vencedor de 2008 e por não ter avisado a todos que o AVT entraria de recesso por um tempo.

Mas, o AVT volta, em breve, não só pra mostrar que qualquer um cria um blog pra falar qualquer coisa hoje em dia. Volta porque o nosso cotidiano está cheio de coisas cretinas querendo ser Top Content no Analytics de alguém e a ironia continua sendo a forma mais elegante de se fazer humor.

Em breve, também vem um novo blog pra falar de Planejamento, Arquitetura de Informação, Gestão de Conteúdo e mais um monte de coisas que você, que lê esse blog, não tem o menor interesse. Mas, eu só comentei pra gerar buzz e pra mostrar mais uma vez que qualquer um cria um blog pra falar qualquer coisa hoje em dia.

E viva a web 2.0, que faz qualquer um virar especialista em qualquer coisa!

Inté!

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Prêmio FDP do ano 2008



O fim do ano chega e não se pode escapar das tradições. Nada de árvore de natal, peru, ceia, roupa branca no reveillon...quando o ano se acaba, é hora de homenagear aquelas pessoas que se destacam por um talento raro. São pessoas que se esforçaram muito (outras nem tanto) para ganharem o prêmio máximo desse blog. São astros que roubam a mídia ou simplesmente reinam no nosso cotidiano. É hora de eleger o Filho da Put* do Ano! AÊÊÊ!

Se você é leitor desse blog há muito tempo, já sabe que a regra é clara: infelizmente, não se pode votar mais no George W. Bush. Depois de vencer várias edições com maioria absoluta e esmagadora dos votos, o ex-presidente dos EUA não pode mais concorrer ao prêmio FDP do ano.
Nós sabemos o quanto ele merece. Mas, reconhecemos que é injusto deixar que ele concorra novamente. Então, para garantir a igualdade de competição entre os candidatos, Bush fica fora da votação. (E não adianta fazer a indicação!)
Mas, o AVT jamais negaria o legado desse grande fdp. E foi por isso que nomeou em 2008, o prêmio FDP do ano como troféu George W. Bush!

Agora, é hora de você votar! Para você, quem merece o troféu G.W.Bush? Quem foi o FDP do ano?

Famosos ou desconhecidos, valem todos, desde que tenham seu talento reconhecido pela academia. Então, caso queiram lançar a candidatura de um anônimo, não deixem de fazer a justificativa! No dia 30 de dezembro, sai o resultado.

Boa sorte aos candidatos!
Declaro oficialmente aberta a votação do fdp do ano 2008!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Rapidinhas Intercon 2008

Sem saudade das vitrines ambulantes da Apple

No ano passado, era incrível a quantidade de manés desfilando Apple: Macbook no colo; Ipod pendurado no pescoço e o Iphone na mão. Personificações do gadget. Nesse ano, a coisa melhorou. O pessoal só se ateve ao uniforme cult: calças xadrez e óculos de armação preta. E só. Que avanço!

Sem contar os manés do fone. Quando a palestra era na esquerda, rádio no canal 1. Na direita, canal 2. E quando era uma só no meio? Tira o fone, idiota! Mas, não. Reclamaram tanto que o rádio não funcionava que quando deu certo, não quiseram tirar de jeito nenhum! Acho até que alguns pagaram os U$S 250 só pra levar o rádio como souvenir do evento.

E o meio ambiente?

Evento em São Paulo = papel. Muito papel. Eu me perguntei se o Luli se vestiu de lixeiro em função disso.

No ano passado, a Dial Host fez uma mega sacola e engoliu todo o material promocional dos concorrentes. Nesse ano, a Uol fez uma sacola ainda maior que a da Dial Host e obteve o mesmo sucesso. Me preocupa o tamanho da sacola no ano que vem. Uma tristeza para carregar e dentro delas, papel. Muito papel. Onde estão os brindes criativos? E aquela velha preocupação com o meio ambiente?


Celebridades


Cazé estava na platéia. Mas, quem é ele diante de Luli Radfahrer, Cris Dias, Fábio Seixas, Michel Lent e Cia? Quase passou batido.

Web Fascismo

No geral, está um tal de palestrante perseguir platéia depois de evento, que me preocupa. Não se pode dizer nada, que já vem o palestrante via Twitter, e-mail, orkut, MSN, SMS: "Por que você não gostou da minha palestra? Heim? Heim? Tem que gostar! Minha mãe e meus amigos adoraram!"

Nerds

Estava eu, rélis mortal, longe de ser um mulherão, discutindo uma palestra que rolava no auditório, enquanto ouvia uma oficina de fotografia. Nem percebi que eu era a única mulher na roda de discussão. Mas, me irritou depois do quarto comentário a respeito. Natural, porque somente 25% do público eram mulheres. Mas, pensei: mulher. É lógico que isso foi o mais perto que esses caras chegaram de um exemplar. Por isso, o estranhamento. Sem graça, preferi voltar com o fone no ouvido. Pensei: "qual o problema de mulher discutir tecnologia?" Mas, pensando bem, ainda bem que me calei porque isso parece discurso de Marta Suplicy e Jô Moraes. Odeio feminismo tanto quanto o machismo.

Uma geralzona do Intercon 08

Merda acontece. Mesmo que os amigos digam o contrário.

No sábado passado, rolou o Intercon 2008, no auditório do Shopping Frei Caneca, em São Paulo. De início, pudemos notar que estava bem mais lotado que a edição do ano passado. E foi bem no início que os problemas começaram a aparecer.
Às 8h, o dia já estava estupidamente quente. No saguão do auditório, as pessoas se aglomeravam. Enfrentavam fila para o credenciamento e outra fila para pegar uns radiozinhos por onde ouviriam todas as palestras. No rádio, a piada: o extravio implica ressarcimento de U$S 250. No meio da crise econômica, a gente descobre a valorização dos produtos "made in 25 de Março". Com R$ 570, daria para comprar um super rádio, um que não sugasse a bateria no meio da palestra e lhe fizesse ir trocar duas vezes.
Depois do atraso, justificado pela dificuldade de linkar o áudio e o vídeo, o auditório foi aberto. Finalmente, o ar condicionado! As estrelas do evento Luli Radfahrer (vestido de lixeiro para representar o lixo na web) e Fábio Seixas davam as boas vindas. Pediam desculpas pelos inconvenientes. E mal sabiam que o pior estava por vir.

A idéia do evento era possibilitar o acompanhamento de duas palestras simultâneas: a principal e uma mais curta, chamada de FF. Ao mesmo tempo, também aconteciam duas oficinas: Photoshop e Programação (entenda oficina como um cara falando e a platéia assistindo). Tudo poderia ser acompanhado via rádio, com um canal para cada palestra.
Mas, quando começou, somente um canal funcionava. Nas oficinas, não havia microfones e o pessoal mais afastado do palestrante não ouvia nada. Ou seja: o jeito era ouvir a palestra principal e aguardar a organização do evento resolver o que seria feito. Paralelo a isso tudo, a internet rastejante da Dial Host. Simplesmente, não segurou o evento.
Muitos problemas aparecendo e a solução para acalmar os nervos foi um show de humor, do tipo stand up comedy dos Deznecessários. Um humor agressivo e cheio de palavrões gratuitos. Ou simplesmente, mal humor meu. Eu não sei, mas, não consegui achar engraçado o sujeito em cima do palco dizer pra mulher que saía do auditório: "e aí, gostosinha! Vou te comer de tal e tal jeito..." Mas, confesso que dei boas risadas nas mais leves e achei genial um "traficante gay super macho" como personagem.
Pausa para o almoço. Depois disso, o evento finalmente engrenou. As oficinas continuaram sem microfones, mas, poderia-se ouvir as palestras em alto e bom som. E foi então, que o Intercon começou a dizer a que veio.
Resumidamente (depois, nos aprofundaremos em cada assunto), as últimas palestras sobre inovações foram excelentes. E acabaram por revelar um inconveniente grave da nova proposta: enquanto de um lado, as palestras eram leves e interessantes, do outro, expunha um especialista da Oracle ao ridículo. Uma palestra extremamente descontraída competia com uma muito técnica. Resultado: 99% do auditório olhava para a direita, enquanto, na esquerda do palco, um palestrante encerrava sua palestra sem um aplauso sequer.
A idéia de ouvir duas ou mais palestras ao mesmo tempo é polêmica. Não é impossível, mas, por mais multimídia que seja o ser humano, não há como prestar atenção em tudo. Uma coisa é usar o computador, ouvir música e ver TV. Outra é tentar prestar atenção em duas palestras que lhe despertam igual interesse (e ao mesmo tempo, ouvir uma oficina). "Quando o evento é bom, a gente nem se lembra de tudo, só se lembra de que é bom", dizia o Luli. Eu entendo o que ele quis dizer, mas, prefiro sair de uma palestra, de uma aula, de um livro, o que for, lembrando do que eu vi. Não é para isso que a gente se dispõe a procurar conteúdo? Ainda bem que há a disponibilidade de ver os vídeos e rever as palestras. Só não cola essa idéia de alguns cults da platéia de que se você não acompanhou os três eventos, obviamente tem problema mental. A própria organização deixou claro que o interessante era a experiência do ao vivo.
O FF se encerrou com lágrimas emocionadas do Luli, que se dizia orgulhoso em participar do primeiro evento do mundo a reunir duas palestras em um mesmo auditório.
Para encerrar o evento, a dinâmica palestra dos Fat 5. Em poucas vezes, vi palestrantes tão empenhados em fazer algo interessante para o público. Mas, pena que não houve tempo para fazer tudo que organizaram. Era visível a decepção deles (e a do público também). Mas, ainda assim, foi muito interessante.
Ao final, sorteio de brindes. Depois, fila para entregar os rádios, pegar os certificados e deixar o local. Mais um pouco de "calor humano".

Fiz essa descrição detalhada não para destruir a imagem do evento, mas, para demonstrar que houve problemas graves e que nem todos se devem ao serviço prestado pelos técnicos de áudio (por mais que a liga de blogueiros amigos insista em colocar panos quentes na situação). A postura da Imasters de não negar que os inconvenientes aconteceram e mostrar que estavam empenhados em resolver, foi bem acertada.
Ouvi algumas pessoas dizerem que "para inovar é preciso errar etc", mas, coincidentemente, eram as mesmas pessoas que criticavam o NBC08. O que nos faz lembrar daquela velha máxima: "que não atire pedra quem tenha o telhado de vidro".
Merda acontece. Todo mundo sabe. Principalmente, quando se tenta inovar. É claro que uma forma diferenciada agrega valor ao evento. Mas, não se pode deixar que "os erros de uma proposta inovadora" prejudique o principal: o conteúdo.
No ano passado, as palestras foram apresentadas de modo "tradicional", divididas em dois dias. Não houve falhas e todos saíram muito satisfeitos. Nessa edição, quase que o Intercon joga por água abaixo a boa imagem do primeiro ano (já que houve tantas falhas de terceiros). É preciso equilibrar os riscos e às vezes, aceitar que o mais simples pode não trazer fama, mas pode ser o que trará o melhor resultado.
Mesmo com os inconvenientes, o Intercon 08 foi uma experiência muito interessante e espero que no ano que vem seja melhor. Mais adiante, aprofundaremos nas melhores palestras. Aguarde!

Fotos de Rafael Damasceno.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Psicoses coletivas

"Na minha sala, havia um triângulo amoroso: uma garota e dois amigos. A garota hora ficava com um; hora com outro. O clima entre os dois amigos ficou pesado.

O dono da escola, também formado em Pedagogia, ficou preocupado e resolveu conversar com a garota. "Numa hora, os dois vão sair no tapa. O que é muito triste porque eles são amigos, blá, blá, blá...", disse.

Mas, parece que ver dois homens brigando por ela parecia ter-lhe inflamado o ego. Mais, ela incentivava "a briga por amor".

E como se esperava, um dos dois perdeu o controle. A partir daí, era comum ver dois dos três se estapeando no corredor. O que incluía a menina, claro.

Até que o professor a chamou de volta para a conversa e disse: "escuta, acho que você não está entendendo a gravidade da situação. Isso não é amor, é paixão doente. Numa hora, o fulano vai surtar, vai matar o amigo, você e se matar em seguida. Não se brinca com os sentimentos dos outos e muito menos com a insanidade dos outros", disse.

Passaram-se uns anos, a menina escolheu um deles: o mais louco. Eles se casaram e numa noite, por ciúme, ele a matou e se matou em seguida".

Anos depois, o narrador da história se tornou professor. Disse ter visto "esse filme" inúmeras vezes. E, então, pôde concluir:


"a escola sabe quem são os maníacos potenciais, aqueles que vão estampar as páginas policiais no futuro. Mas, é muito difícil para os pais aceitarem que os filhos têm problemas. É difícil encaminhar um filho para um psicólogo porque no fundo, os pais sabem que vêm deles, parte do problema. A família então se isenta e os filhos passam a ser problema do Estado".


E de fato, é o que acontece.

Enquanto José Padilha e Rodrigo Pimentel lembram da culpa do Estado, ouvi no dia seguite, alguém lembrar que segurança pública é também algo a ser construído e mantido dentro de nossas próprias casas e em cada uma das instituições sociais.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Esclarecimentos

Informo que o blog não acompanhará dessa vez os debates do segundo turno das eleições à PBH, realizados pela Alterosa e Rede Globo. Infelizmente, nas respectivas exibições, estarei em São Paulo, preparando as postagens do Intercon 2008. Porém, ressalto que o AVT continua a incentivar o compromisso cidadão e a discutir, dentro do possível, as últimas notícias que antecedem o anúncio do novo prefeito. Continuarei a acompanhar os debates porém, via Twitter.

Convido todos a novamente participarem das discussões, seja onde for. Torço para que votem no domingo, seguros de que hajam parado para analisar as propostas dos candidatos e que ao menos considerem a possibilidade do voto nulo, caso concluam que nenhuma das opções seja a melhor para a cidade.

Aproveito para agradecer todo o apoio dado ao blog. Espero que as discussões tenham sido úteis para mostrar que só não discute política, religião, opção sexual ou futebol aquele que não sabe respeitar a opinião alheia, não tem argumentação suficiente ou não se importa. Fico muito feliz que os leitores do blog - ao contrário dos nossos candidatos - tenham tido o equilíbrio ideal para fazer debates de forma democrática e respeitosa. Agradeço também a todos que apóiam o blog, mesmo não tendo tempo para postar comentários.

Por fim, feitos os agradecimentos, declaro que o AVT apóia o professor Massote e é contra qualquer forma de censura que se possa fazer à blogosfera, um dos poucos espaços em que a imprensa mineira pode ser livre.

Abraços a todos,

Pri!

O Fracasso da Polícia é dos Políticos

Texto de José Padilha* e Rodrigo Pimentel*, veiculado na internet. Sugestão do professor Flávio Boaventura.

No fim, são os políticos os principais responsáveis pela repetição de tragédias como a do ônibus 174 e do seqüestro em Santo André.

Não são apenas as ocorrências mal administradas, cheias de erros primários e ilegalidades que demonstram a necessidade de uma reforma da segurança pública no Brasil. (...) nossos políticos, apesar de conhecerem os dados, têm se mostrado incapazes de realizar tal reforma (...)

Em conversa informal com agentes do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), descobrimos que eles estão desolados com o desfecho daocorrência, que custou a vida de uma pessoa e feriu outra; e revoltados com os políticos, devido ao descaso que têm com a unidade, exposta ao ridículo com o fracasso da operação. Afinal, se o Gate dispusesse do equipamento necessário para administrar uma ocorrência desse tipo, como uma microcâmera de fibra ótica, saberia que o seqüestrador tinha encostado um armário de TV e uma estante na porta de entrada do apartamento. Saberia que seqüestrador e reféns não estavam na sala, mas no quarto. Saberia que uma invasão pela porta da frente daria tempo para o seqüestrador atirar nas reféns. Mas, o Gate não sabia de nada disso e perdeu preciosos segundos abrindo a porta. Se o Gate dispusesse de escada com alcance para que um policial pudesse entrar no apartamento pela janela, poderia ter evitado a tragédia. Mas, a escada do Gate, como atestam as filmagens, era curta demais.

Se os policiais do Gate fossem bem treinados, não teriam deixado que uma menina de 15 anos, libertada pelo seqüestrador, voltasse a ser prisioneira. Não teriam demonstrado tamanha incompetência e desconhecimento legal. Mas, os policiais do Gate, como os do Bope e do resto do país, não recebem treinamento adequado.

Quando trabalhamos no documentário “Ônibus 174", sentimos a mesma revolta por parte dos policiais do Bope, que, em sua maioria, odeiam os políticos a quem servem. André Batista, colaborador em “Tropa de Elite” e negociador do Bope na malfadada ocorrência, deu o seguinte depoimento para o documentário: “Naquele momento, a gente viu que faltava muita coisa. As coisas que a gente vivia pedindo, os equipamentos, os cursos, parece que naquele momento, tudo desabou.” Ouvimos, virtualmente, a mesma coisa do Gate.

Chegamos, assim, a uma conclusão absurda. Concluímos, parafraseando Nietzsche, que é preciso defender os nossos policiais dos nossos políticos! Afinal, quem são os nossos policiais? E o que o Estado, administrado pelos políticos eleitos, fornece a eles?

Tomemos como exemplo um policial carioca. É um sujeito mal remunerado, mal treinado, que trabalha em uma corporação corrompida por dentro. Isso é o que o Estado lhe dá. E o que pede em troca? Que mantenha a lei. Em outras palavras, que entre em conflito com os membros corrompidos da sua corporação e com os bandidos fortemente armados da cidade. Ora, não é à toa que o capitão Nascimento, refletindo um sentimento comum entre os policiais do Bope, tenha dito que “quem quer ser policial no Rio de Janeiro têm que escolher. Ou se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra.”

Em São Paulo, não parece ser muito diferente. Não esqueçamos, pois, o ano de 2003, quando o então secretário nacional de Segurança Pública, o sociólogo Luiz Eduardo Soares, estava prestes a conseguir a reforma que nossos policiais sérios tanto pedem. Ele tinha participado da elaboração de um plano de segurança pública que previa um piso nacional decente para o salário dos policiais, a integração da
formação e das plataformas de informação das polícias estaduais, o repasse de recursos federais para os Estados condicionado à reforma de gestão e ao controle externo e a desconstitucionalização da segurança pública, dando autonomia para que os Estados reformassem as polícias de acordo com as realidades locais.

Apresentou o plano ao governo federal com a assinatura de todos os governadores. E o que fez o governo? Desistiu. Nem sequer apresentou o plano ao Congresso. Não o reformulou, optou pela passividade. Segundo nos disse o sociólogo, por considerar que a reforma demoraria a dar resultado e que a opinião pública poderia responsabilizar o governo federal, e não os Estados, se eventuais tragédias ocorressem durante a implantação.

Evidentemente, não estamos culpando os atuais governos federal e estadual pelo desfecho do seqüestro em Santo André. Afinal, governos anteriores poderiam ter tentado reformar a segurança. O governo FHC, por exemplo, prometeu um plano nacional depois do ônibus 174. Estamos culpando os verdadeiros responsáveis: os nossos políticos como um todo, que há muito tempo sabem que precisam reformar a segurança pública para salvar a vida de milhares de brasileiros e que há muito tempo fracassam ao não levar essa tarefa a cabo. Um fracasso ainda mais vergonhoso do que o dos
policiais do Bope e do Gate.

José Padilha, cineasta, é diretor de “Ônibus 174";, “Tropa de Elite”, “Garapa”, entre outros filmes. Rodrigo Pimentel, sociólogo, é ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) do Rio de Janeiro, um dos roteiristas de “Tropa de Elite” e co-produtor de “Ônibus 174".

segunda-feira, outubro 20, 2008

Às Eloás que matamos dia após dia


Hoje, eu acordei com esse pensamento: cada circunstância de nossa vida é marcada pura e simplesmente pelas escolhas. A partir do momento em que a gente nasce, viver ou morrer são as duas opções. Não vai existir meio termo. As escolhas que fazemos são as Eloás que matamos ou salvamos, dia após dia.

Os alimentos que a gente ingere; os exercícios que faz (ou deixa de fazer); as ruas por onde passa; as pessoas com quem se envolve; os políticos que elege... Tudo é uma questão de escolha. E há quem acredite ainda que a gente selecione a família onde vai nascer, o que pode nos fazer pensar que as escolhas sejam feitas muito antes do imaginado.

O problema é quando escolhem por você. O Princípio Vital (ou whatever) escolhe os genes de cada pai e o de cada mãe, os combinam e formam o DNA de um novo indivíduo. Ninguém escolhe - ao menos até agora - qual gene vai adotar para si e do qual vai se desfazer. O Estado escolhe como vai aplicar os impostos que você paga; o acaso escolhe os números da mega-sena; "Deus escolhe quem vai para o céu e para o inferno"...De alguma forma, alguém ou algo faz a escolha por você. O que quer dizer que por mais que você tente, por mais que se trate da sua vida, algumas escolhas simplesmente não vão depender de você. Mas, a reação ainda é uma escolha. Isso contando que a previsão seja uma antecedente por direito.

Por mais que não pareça, a princípio, o assunto dessa postagem é o "Caso Eloá". O namorado que escolheu; a amizade que cultivou; a decisão de terminar o namoro; as palavras ditas dentro do apartamento; a volta da amiga ao cativeiro; a autorização ou não dos pais para a volta da refém; as famílias terem armas em casa; a cobertura da imprensa; a ação da polícia...ações, reações e omissões. Algumas dependiam de Eloá; outras, não. E quem pode dizer que foi ela quem mais tenha perdido?

Como jornalista, não cabe a mim julgar nada do caso. Não tenho acesso aos laudos; não sou psicóloga; muito menos tive treinamento para enfrentar situações de risco que envolvam um perturbado, reféns e armas de fogo. Talvez, por isso mesmo, eu não entrevistasse um seqüestrador ao vivo. Além de tudo, não pertenço ao Judiciário, a quem cabe o julgo da questão.

Mas, como ser humano, posso compartilhar o alerta: observe suas escolhas. O acaso pode levar à fortuna ou à desgraça. E o simples pisar de uma borboleta aqui, pode prejudicar alguém do outro lado do mundo. Você tem certeza de que tem feito as escolhas certas? Você saberia o que fazer quando da sua escolha dependesse várias vidas?

A gente pensa a situação como se estivesse longe do cotidiano. Como se fosse exclusiva de um chefe da polícia prestes a dar uma ordem de invasão. Mas, na verdade, essa escolha nós fazemos o tempo inteiro. Não é por essa situação que passa qualquer um que deseje construir uma família? Não é por essa situação que passa alguém que doe alimentos, agasalhos ou que preste serviços sociais? Não dependem também desses a vida de muitos outros? "Um giz mata mais que arma de fogo" dizia um professor meu. E eu tenho certeza de que ele não estava se referindo àquele produto paraguaio para matar baratas.

Enfim...efeito borboleta, teoria do caos, destino, acaso, ocasiões...Escolhas. É de Eloá e principalmente disso que se trata essa postagem. Porque viver é fazer escolhas. E essa é uma das poucas certezas que eu tenho na vida.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Eleições (10) - Pesquisa Ibope

A Rede Globo e O Estado de São Paulo divulgaram hoje uma pesquisa do ibope sobre o segundo turno da eleição para a PBH.

Leonardo Quintão tem 51% das intenções de votos. Márcio Lacerda tem 33%. Votos brancos e nulos somam 6%. E os eleitores que não sabem ou não responderam, 9%. A pesquisa ouviu 1.204 eleitores na capital. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Muito bem. Só não entendi uma coisa: o que significa o 1% que falta?
(51% + 33% + 6% + 9% não somam 99%?)



Imagem da matéria divulgada hoje no MGTV 1ª edição.